sábado, 25 de maio de 2013

SOBRE QUANTIDADES II


tanta coisa passou que não percebemos

tanta coisa passou, soubemos e não retemos

tanta coisa passou, sentimos e não admitimos

tanta coisa passou, felizmente nós ainda estamos

(eles passarão, eu passarinho)

 

tanta coisa ficou que o tempo não apaga

tanta coisa ficou, amamos o que não ousamos

tanta coisa ficou, o sentimento e o carinho

tanta coisa ficou, meu olhar seu olhar

(as coisas que ficam são aquelas guardadas no coração)

 

pelos dias felizes que passaram

pela alegria que ficou,

sei que demora, mas agente

ainda vai se encontrar

sexta-feira, 24 de maio de 2013

QUANTIDADES



Quantas palavras perdidas

Quantos olhares iludidos

Quantos carinhos imprecisos,

Quantas lágrimas presas

Quanta dor presente

Quanto amor eterno,

Quanta chama extinta

Quanta estrela longínqua

Quanta saudade descrita,

Quanta esperança tola

de apenas um cara Solitário.

.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

MISCELÂNEA


veja meu olhar enxergando linfas em miríades, gotas caóticas que desafiam as Lógicas, as práticas, as intenções, chuva policromática, errática, exacerbado lampatana que percorre aterros, vive seus Erros, chora esta colisão, onde estavam o certo e acerto no átimo da concepção? sou ocasos, pretório vasto e Diletante que esconde a covardia no sarcasmo da sobrevivência, polivalência, protuberâncias, insistes? não te aturo, juro que pulo o abismo e caio em seu quintal, meu affair, meu mal, minha insistência desconstrói a questão... sou sim e não, afirmação do Tratante, tratado assinado e rasgado pelo herói, isto dói? quem queima a mão não arde o peito, sem jeito ficamos quando eu te pedi que partisse, sem se voltar para trás foi-se para a volta maior que a volta da terra e veio-me por trás, coisa que não se faz, agora sou eu quem tenho de ir, Plantado que fui aqui, vou-me para mim,  me entranhar, violar meus acessos e bolir meus desejos, Incestuoso ser, me beijo, me chupo, me cuspo, sob seus pés, ileso, saí de mim, sofri mas nasci, ainda repousa ali o carinho que tu me negastes, agora eu o recuso, uso minhas próprias penas com Pena de mim... sou assim... já disseram, não sei o que quiseram dizer, mas foi isto, foi visto, Rido, dançado, sou algo de bom que faz mal, sou orgulhoso, garboso, telúrico e etéreo, sou massa crua, sou barro queimado, sou carne Ferida, sou palavra perdida, sou tudo aquilo que me faz crer que eu seja, veja meu olhar enxergando o reflexo em linfas, distorcidas, correntes, límpidas e tépidas, não sou eu, é o rio quem sou, é ao mar que vou Pororocar, ele me entra eu o penetro, amálgama, sabia que iria te usar, afinal, o sentido disto tudo é apenas desvendar o Substantivo hermafrodita que se despiu numa página qualquer, Excitou todas as partes de meu encéfalo, do cerebelo ao falo, dos olhos à língua, esta prostituta portuguesa que nos é sem nos Pertencer...veja meu olhar, é delírio puro, deleite, Enfeite...cubra-me com a mortalha rubro-verde, é chegada a hora do descanso. final???? afinal, nada que começou no acaso termina numa trama. ria, até chorar, Ria, é minha apoteose enxergar-me em seu olhar...

terça-feira, 21 de maio de 2013

CONFLUÊNCIA - OU O PARADOXO DA DOR


semana passada
difícil, solitária, egocêntrica,
quase narcisista. 
 
como diferem, no poeta, as dores:
a dor d'alma o faz voltar-se para o mundo;
fecha-se em si para entender,
e abre-se em poemas para expressar. 
 
a dor física o faz voltar-se para si;
abre-se ao mundo para encontrar o remédio,
e fecha-se em si por não poder dar-se ao mundo. 

a dor n'alma o faz solitário em sua luta,
como um herói mitológico,
ele enfrenta dragões para salvar o mundo.   

a dor física o faz triste, impotente,
luta contra micróbios com o qual lutam todos,
e todos perdem,
e ele não é nada além de alguém que também luta e também perde.  
 
a dor d'alma o faz diferente, a dor física o faz igual.
 
assim chega ao final esta semana, arrastando dias,
e neste arrasto trazendo a melancolia:
 
o filosofo invade o poeta e pensa suas dores,
alia à sua enfermidade física uma doença n'alma,
a de se saber mais humano e menos poeta,
mais igual e menos um.
 
paradoxos vívidos e retos,
 
ao acrescentar ao poeta a dor em sua alma,
o filósofo lhe devolve sua condição poética,
e a melancolia que abateria ao homem eleva ao poeta,
e nada é triste ou dorido além do fingimento.
 
diz  Umberto Eco que o
poeta escreve o poema ideal
para a musa idealizada,
assim como o filósofo pensa as coisas ideais
para um mundo idealizado, 
 
é o mesmo conceito do Pessoa,
o poeta finge a dor,

o filósofo pensa friamente sobre a vida, 
não vivenciando, ambos, aquilo que expressam,
pois não é esta a função da arte ou da filosofia.
 
mas, e quando habitam no mesmo cérebro o poeta e o pensador?
e quando apenas saber não basta,
pois este cérebro cresceu em um corpo aventureiro
com um peito romântico? 
 
aí, meu amor, 
 
vamos à vida.
viver a dor para senti-la doída;
viver o amor para senti-lo amante;
viver a vida para sentir-se vivo.
 
o dia hoje ainda trará a noite
e nela te espero para descansar da dor,
amar o amor, e continuar a viver.


isso é o mais leve que consigo ser...

 

sábado, 18 de maio de 2013

POEMA AMOROSO


abri minha boca

enorme

de fome,


engoli seu universo

desconexo,

a delicadeza de seu sexo

na acidez

da minha língua,


à míngua não morro

tenho o vazio

do poema amoroso,


e o sabor de anarquia

que escorre (poesia)

de seu gozo.

AS TARDES


as tardes de quem ama - e tem seu amor distante

não são as tardes douradas pelo pôr-do-sol

líricas tardes dos campos, dos cafés, das orlas

perfumadas pelas rosas que se despedem,

são, antes, as tardes que se despedem em busca da noite

a noite de estrelas distantes como a amada

a noite de desejos e sonhos e querência

onde a ausência é que é negra

a noite dos poetas, a noite é dos poetas

e os poetas são tristes, a tristeza é do poeta

por isso a tarde finda tão tristemente

ela traz a noite que não trará amor

trará poesia, e alguma solidão.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

DESCONCERTO


há uma desordem no momento
foi assim que o caos se tornou mundo
e o poeta se fez pleno,
o amante ficou àquela noite
até o sol entardecer,
o tenor acordou mudo
o silêncio...
o silencio era festa
sentimento que se manifesta em versos
uivos em elipse, metáforas, sintaxes
eu quero asas, coxas, lábios
entrar um corpo por inteiro
simbolismo a escorrer pelos espelhos
de toda a verdade, só essa interessa
de toda a fantasia, despir o sentimentalismo
realidade é o que nos resta
jogada sobre a cama,
entre o batom e o vinho
caminho nos absurdos dessa delicadeza
sou presa da ordem, dos artifícios, dos ofícios
no momento a desordem,
uma fera que ronda a madrugada
excitada por sua jugular, ou seu sorriso...

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Reflexos

Fecha-se a triologia sobre a Noite, que publiquei em ordem inversa a que foi escrita - entre o primeiro e o terceiro poema, foram 7300 noites... A intenção foi passar, a quem lê, as sensações como ficaram em mim, e não como me chegaram, foi permitir uma visão da minha face como eu a vejo no espelho, invertida, e não o olhar direto com que as pessoas olham aos outros. Sou um reflexo de mim, e dos olhares dos outros sobre mim, numa noite qualquer.
Carlos

A NOITE


Há um homem na noite

mas para a noite um homem

não é nada.


Na noite um homem tem apenas

seus fantasmas, sua poesia,

sua pequena morte na madrugada,

seus olhos velados pelo céu sem luar.


Na imensidão escura o homem se

embriaga de mistérios, caminha em

desatino, errático,  tanto lobo

quanto menino.


Há um homem na noite,

mas há, também,

uma noite neste homem.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

A NOITE II


hoje a noite procura um amor

a noite é fútil como os desejos da virgem

não sabe, não aprende

a noite se vende a um poema

um teorema, um perfume de jasmim

a noite é bela e esparrama sua beleza

naqueles que sofrem, nos que choram

e assim os faz felizes

com seus carinhos de meretriz.

 
a noite é dada, dá-se  a todos

poucos a tem,

ninguém toca a noite

a noite toca-se em silêncio

goza no escuro todos os prazeres

todos os pudores, todos os amores

que não quis.

 
a noite etílica, ébria de si

penetra os corpos dos mortos

morreram de amar

ficaram vazios, gelados, inertes

fecharam os olhos para os sonhos

que sonharam em desconsolo,
 

a noite é mais uma noite apenas

é mais uma hora tardia

uma canção sem poesia,

na noite entrego meu querer

a quem interessar possa

na noite nada possuo

a noite possui  a alma

dos que sofrem, dos que choram

a noite se vende num bordel de terceira classe,

passe, eu lhe peço

mas a noite não passa...