Observei dois sonhos que se beijavam,
um feito de amor o outro ausente de ódio;
lindos emocionaram-me,
puxaram duas lágrimas gêmeas.
Nascedouros, o mesmo sentimento,
caíram, todavia, de diferentes olhos
que tinham o mesmo
olhar para
as lágrimas que se afastavam.
Sorri
um meio sorriso,
todo
ele de esperança que a dor fosse
de fato
fingimento,
porque
não o sendo, seriam duas dores:
uma
de sofrimento e a outra de desilusão.
Parei
de pensar e não morri,
parei
de morrer e não vivi;
parei
de esperar e não cheguei,
parei
de chegar e não encontrei;
parei
de procurar, só não parei de parar.
Escrevi
a carta de despedida
mas
não consegui me dizer adeus,
pedi
a deus que me fizesse crer
nele
e em seu mundo;
rompi
com os homens porque não os teria,
rompi
com as mulheres porque as queria.
Desta
catarse sobraram poucos pedaços,
os
que caíram marcam minha estada no tempo
dos
que ficaram farei meu recomeço no espaço,
afinal,
eu sou meu sol,
e
ainda há muitas auroras por acontecer.