segunda-feira, 1 de julho de 2013

CATARSE


Observei dois sonhos que se beijavam,
um feito de amor o outro ausente de ódio;
lindos emocionaram-me,
puxaram duas lágrimas gêmeas.

Nascedouros, o mesmo sentimento,
caíram, todavia, de diferentes olhos
 que tinham o mesmo olhar para
as lágrimas que se afastavam.

Sorri um meio sorriso,
todo ele de esperança que a dor fosse
de fato fingimento,
porque não o sendo, seriam duas dores:
uma de sofrimento e a outra de desilusão.

Parei de pensar e não morri,
parei de morrer e não vivi;
parei de esperar e não cheguei,
parei de chegar e não encontrei;
parei de procurar, só não parei de parar. 

Escrevi a carta de despedida
mas não consegui me dizer adeus,
pedi a deus que me fizesse crer
nele e em seu mundo;
rompi com os homens porque não os teria,
rompi com as mulheres porque as queria.

Desta catarse sobraram poucos pedaços,
os que caíram marcam minha estada no tempo
dos que ficaram farei meu recomeço no espaço,
afinal, eu sou meu sol,

e ainda há muitas auroras por acontecer. 




quarta-feira, 26 de junho de 2013

O GRITO

Eu deixei um grito
Longo, dorido, infinito
Corrido num labirinto
Um grito humano
Grotesco grito

De quem morre ainda vivo
De quem vive ainda sem amor
De quem ama ainda com pudor
De quem pode e perde o mito
De quem come e descome o livro
Passeia preso e passivo
Atônito elide o grito
Surdo ouve o apito
Soluça, sufoca, sofre
E repete o grito

Ouviram o grito?
Viram este grito?
Andaram com o grito?
Gritaram meu dito?
Alguém responda, eu acredito
Não tenho fé, mas necessito

Perdi meu grito
À favorita de Diana repito
Devolva-me o grito
Não podes fugir de Juno o castigo
Estou mudo?
Estou aflito
Reflito...

O eco é um som refletido
Dentro de uma cabeça oca
O som entra, bate e volta,
Então meu grito deveria ser ecoado
Ad infinitum
Meu mundo de gritos e paradoxos
Cabeças-ocas não me ouvem
O som entra mas não sai
Fica no altar das paralelas
Um dia voltaremos a ficar juntos
Eu e o meu grito,

Ouvindo o ovo gritar.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

O OLHO QUE SE ISOLA

Olho um olho que se isola
Longe no tempo, extrapola
O que realmente desejo ser.

Como me ver tão fora de mim?

Assustado com o que fazer
Com as respostas que darei,
Compromissos ambíguos que
Demarquei, intimidades expostas
Que desrespeitei.

Não posso me observar,
Deixo o caminho ao caminhar
O gosto ao paladar
O amor ao se dar
Nada sei antes de começar.

Tentarei, lembrar-me-ei minhas
Matas queridas, as cachoeiras
Descidas, os vôos de moto,
Os sons de um blues, os poemas
Líricos, os encontros oníricos.

Viajandando,é o estado que se
Encontram os românticos
Existenciais pós-modernos
Idealistas eternos.

Borboletando, é como ficam
As palavras desconexas que
Saem do peito sem motivo,
Até se encontrarem na verde
Folha, poema sem escolha.

Eu ando, mas só quando
Chegar é que saberei

Onde quis estar.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

AGORA, SOMENTE PARA QUEM TEM NAMORADA

Para quem tem namorada, não dessas atuais,
Que ficam hoje e amanhã, nada,
Falo para àqueles que em um dia de sol
Ou numa noite enluarada, descobriram
Seus olhos noutros olhos, nos quais soube ser a amada.

É para esses venturosos que desde então jamais caminham sós
Que alerto, não seduzam a si, oh sedutores,
Que estas donzelas se dão, nos beijam, suspiram,
Juras eternas redundam, ardem, esperam,

Porém se não cuidadas não toleram
E o que antes era amor torna-se bolero.

Assim, o amor conquistado não é como a bandeira fincada
No topo do mundo ou na vastidão da lua,
É antes, já disseram os poetas, uma flor desabrochada,
Que requer calor, umidades e delicadeza, muita atenção
Chocolates, minos e champanhe gelada.


Um fim de tarde na praia, acordar (e não levantar) numa manhã
De outono, lareira no inverno, a alma sã cheia de pensamentos
Impuros, um e-mail de bom-dia, trinta telefonemas nas horas mais
impróprias, a palavra leve, o pronome torto dito constantemente:
                      Eu te amo, eu te amo, eu te amo.

Ame, companheiro, mas amar não basta, é preciso cuidar do amor

E conquistar a amada a cada dia, para que o amor dure todos os dias.

terça-feira, 11 de junho de 2013

PARA QUEM TEM NAMORADA - E PARA QUEM NÃO TEM

hoje eu amo o outro
,este outro ser divergente que há em mim
eu o amo em desespero de ser também por ele amado...
- porque preciso que alguém me ame como eu amo
,que meu amor seja enfim retribuído em
                sua totalidade
                          sua complexidade
                                        sua intensidade...

eu amo em línguas que jamais ouvi
se na minha o termo para todos 
... os amores 
,é único 
no grego tem três palavras
(o que antes era sofismo, depois de ágape virou modismo)
bom mesmo é em irlandês
são dezoito palavras para dezoito tipos de amor
 - com tantas pronúncias haverá tantas possibilidades 
de se ouvir AMOR
,que uma há de me atingir...


 ah, já posso ouvir o oblíquo torto:
eu te amo
- quem me ama?
- que importância pode ter?
saber que sou amado
,que amo
,que o mundo é uma bola azul
e o pote de ouro no fim do arco-íris me espera antes mesmo de meu fim que,
             pode ser hoje
                            pode ser agora
                                           pode já ter acontecido...

eu queria ser amado
- e sou
 eu queria amar para ser amado
- e amo
 e o amor tanto já veio e tanto já se foi
,que hoje eu amo o outro

este outro ser divergente que há em mim...

domingo, 9 de junho de 2013

EXCALIBUR

havia um pedaço de pau fincado na lama
ninguém era capaz de removê-lo, pois ficava
fora do alcance do caminho florido

um dia um menino agredido pela ordem das coisas
ferido pelas cores, pelos aromas e sabores
maltratado pelos pássaros e pelos anjos
entro na poça e retirou o velho cajado

saiu ao sol e viu as gentes distantes irem ainda mais longe
percebeu que o pedaço de pau
transformou-se numa espada
o barro que secou sobre sua pele formou
a mais dura armadura
nascia o cavaleiro do lodo
o anti-herói predestinado a combater o mundo
claro e ordeiro

derrubou reis
venceu duques e clérigos
violentou princesas
indignado sentiu-se amado.

era um homem de posses
possuía um pedaço de pau e um pouco de lama
tinha vestes e ouro e posição
exposição
mulher amante e profissão
cidadão
correto altivo e orgulhoso
cansado sentiu-se odiado.

o velho se refugiou numa torre
além das nuvens
ali guardava suas lembranças
a falta de fantasia e esperanças
as aventuras as amarguras a indolência
não tinha mais sonhos nem dissabores
perdera os amigos e os inimigos
extasiado soube-se ignorado.


morreu entediado e feliz

sexta-feira, 7 de junho de 2013

ALCOVA DO TEMPO

Adormeço no estrado do tempo,
na noite negra que espanta a compreensão;
persigo o passado, incalculável espaço que arrasto,
como grilhões inquebrantáveis, por todos os atos,
antes mesmo de formular um pensamento.

Adormeço no estrado do tempo,
guerreiro cibernético em armadura medieval,
combato a dor, porque muita dor possuo,
combato o medo, porque muito medo possuo,
mato o amor, porque o amor possui muita dor e medo,
mas, fundamentalmente, o amor possui muita alegria e
esperança, sendo assim, também me possui, me violenta,
impulsiona-me.

Adormeço no estrado do tempo,
quem sobreviverá, aquele que fui ou quem almejo ser?
existe de fato escolha, se meus passos são guiados pelo desespero do momento?

Acordo na alcova do tempo,
faquir moribundo que de tanto beijar na boca fétida da
morte, de tanto gozar na vulva gélida da morte,
enjoou até de morrer.

Acordo na alcova do tempo,
cansado de sonhar sonhos azuis, quando a realidade
é um golpe abaixo das costelas que me atira janela afora,
muito longe de mim.

terça-feira, 4 de junho de 2013

VERSOS PELA PAZ

III

um passo tímido
encolhido
abafado
como o choro e o riso
pavor!

nas veias o sangue queima
nas ruas o sangue escorre
no escuro ninguém corre
terror!

medo do homem de turbante
medo do homem do botão vermelho
medo do moleque no sinal
histeria!

nas mesquitas se canta a vingança
nas sinagogas se grita a fobia
nas sacristias se abafa o grito
das crianças!

mundo abiótico
a pomba branca foi abatida
sequer o amor nos redime,

em tempos de medo
todos somos vitimas
todos somos cúmplices
súplices,
em guerra com a

PAZ!

domingo, 2 de junho de 2013

VERSOS PELA PAZ


II

 

seu corpo alvo me pedia festa

eu ria, sorvia, me lambuzava

untava você em seu próprio mel

fome...

 

era meu, o seu desejo

 o seu riso e o seu gozo

minina-mulher-amante

 generosa

em seus xeros

 seus toques

 suas umidades

 

assim se deu,

cedeu e conquistou

vitoriosa, não exibiu o troféu

guardou-o, teso, dentro de si

plena de mim, ali fiquei

ainda estou, sempre estarei,

em sua carne branca...

 

ali sempre estaremos, juntos

nas noites alvas,

insones, impregnadas

de saudade e vontade e entrega...

 

poucas noites são assim

as nossas noites são assim,

noites em que o mundo dorme melhor

em paz e feliz,

porque nós o velamos

o protegemos da dor, em nossa inefável

noite de amor.

 

sexta-feira, 31 de maio de 2013

VERSOS PELA PAZ


I

 

joão nasceu do amor

em seu corpo nasceu a cor

escura

pura

dos tempos antes do tempo

da cura antes do mal

do homem erigido sobre o animal.

 

marina nasceu do espanto

em seu corpo apareceu o branco

luminar

anelar

do quântico e dos cânticos

do riso e dos motivos

semente a germinar gente.

 

tainá acordou vermelha

kazu surgiu amarelo

foi assim num sonho azul:

todo mundo rodou o mundo

ciranda-cirandinha

deixe o ódio e vem brincar

na aquarela da vida

na arte dos vitrais,

preto branco amarelo vermelho

plúrimos e únicos

nossas diferenças são iguais.

terça-feira, 28 de maio de 2013

TU NÃO TENS A MINHA ÂNCORA


já fui barquinho de papel
nas calmas águas de uma bacia de alumínio,
já fui canoa furada
naquela lagoa em que Narciso e Ismália
se enamoraram, ouvindo a serenata de sapos
à lua (também já fui sapo),
noutros tempos fui um cruzador
matei e morri vinte vezes,
quem sabe sobrevivi aos naufrágios da alma
apenas para sucumbir às tormentas do coração!
 
Poseidon não me quis, o sal me curou
depois dos sete mares singrei mais um
sangrei, veleiro sem vento
fui corsário, gaulês, aportei em Mucuripe
jamais fui mercante
jamais desisti de ser errante
fui, apenas fui
ouvindo dos portugueses
antigos marinheiros, as vozes mortas:
“navegar é preciso, viver não é preciso”
 
de repente, o remanso
atravessei a pororoca, o dilúvio
somente um iguapé me comporta
sou bote, bóia, iole jusante
mantenho altivo o pulsante
pulo ondas e marolinhas
extasiado, excitado, extenuado
já não sei onde chegar
- nunca soube, nunca soube
tu não tens a minha âncora
como parar em tuas águas tão tensas?
não paro, mergulho
vou em teu fundo, respiro
é por navegar que te vivo.




 

domingo, 26 de maio de 2013

SEU DOCE OLHAR


Seu olhar doce sempre me cativou
Quanto mais seu peito encolhia
Seu ar se negava
Seu corpo se comprimia
Mais doce e plácido ficava seu olhar 

Um dia perdi um amor
E o olhar da amada sobre mim
Perdi mais...
Perdi também o seu doce e plácido e corajoso olhar 

Assim como sempre irei me lembrar desse amor
- porque todos amores são contínuos
O seu olhar doce e plácido e corajoso e terno
Sempre me acompanhará 

Agora que seus olhos foram fechados
Seu peito enfim deixou de acolher seu coração
No escuro, no frio, em minha solidão
Seu olhar doce e plácido e corajoso e terno
Eterno
Repousará novamente sobre mim.

sábado, 25 de maio de 2013

SOBRE QUANTIDADES II


tanta coisa passou que não percebemos

tanta coisa passou, soubemos e não retemos

tanta coisa passou, sentimos e não admitimos

tanta coisa passou, felizmente nós ainda estamos

(eles passarão, eu passarinho)

 

tanta coisa ficou que o tempo não apaga

tanta coisa ficou, amamos o que não ousamos

tanta coisa ficou, o sentimento e o carinho

tanta coisa ficou, meu olhar seu olhar

(as coisas que ficam são aquelas guardadas no coração)

 

pelos dias felizes que passaram

pela alegria que ficou,

sei que demora, mas agente

ainda vai se encontrar

sexta-feira, 24 de maio de 2013

QUANTIDADES



Quantas palavras perdidas

Quantos olhares iludidos

Quantos carinhos imprecisos,

Quantas lágrimas presas

Quanta dor presente

Quanto amor eterno,

Quanta chama extinta

Quanta estrela longínqua

Quanta saudade descrita,

Quanta esperança tola

de apenas um cara Solitário.

.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

MISCELÂNEA


veja meu olhar enxergando linfas em miríades, gotas caóticas que desafiam as Lógicas, as práticas, as intenções, chuva policromática, errática, exacerbado lampatana que percorre aterros, vive seus Erros, chora esta colisão, onde estavam o certo e acerto no átimo da concepção? sou ocasos, pretório vasto e Diletante que esconde a covardia no sarcasmo da sobrevivência, polivalência, protuberâncias, insistes? não te aturo, juro que pulo o abismo e caio em seu quintal, meu affair, meu mal, minha insistência desconstrói a questão... sou sim e não, afirmação do Tratante, tratado assinado e rasgado pelo herói, isto dói? quem queima a mão não arde o peito, sem jeito ficamos quando eu te pedi que partisse, sem se voltar para trás foi-se para a volta maior que a volta da terra e veio-me por trás, coisa que não se faz, agora sou eu quem tenho de ir, Plantado que fui aqui, vou-me para mim,  me entranhar, violar meus acessos e bolir meus desejos, Incestuoso ser, me beijo, me chupo, me cuspo, sob seus pés, ileso, saí de mim, sofri mas nasci, ainda repousa ali o carinho que tu me negastes, agora eu o recuso, uso minhas próprias penas com Pena de mim... sou assim... já disseram, não sei o que quiseram dizer, mas foi isto, foi visto, Rido, dançado, sou algo de bom que faz mal, sou orgulhoso, garboso, telúrico e etéreo, sou massa crua, sou barro queimado, sou carne Ferida, sou palavra perdida, sou tudo aquilo que me faz crer que eu seja, veja meu olhar enxergando o reflexo em linfas, distorcidas, correntes, límpidas e tépidas, não sou eu, é o rio quem sou, é ao mar que vou Pororocar, ele me entra eu o penetro, amálgama, sabia que iria te usar, afinal, o sentido disto tudo é apenas desvendar o Substantivo hermafrodita que se despiu numa página qualquer, Excitou todas as partes de meu encéfalo, do cerebelo ao falo, dos olhos à língua, esta prostituta portuguesa que nos é sem nos Pertencer...veja meu olhar, é delírio puro, deleite, Enfeite...cubra-me com a mortalha rubro-verde, é chegada a hora do descanso. final???? afinal, nada que começou no acaso termina numa trama. ria, até chorar, Ria, é minha apoteose enxergar-me em seu olhar...

terça-feira, 21 de maio de 2013

CONFLUÊNCIA - OU O PARADOXO DA DOR


semana passada
difícil, solitária, egocêntrica,
quase narcisista. 
 
como diferem, no poeta, as dores:
a dor d'alma o faz voltar-se para o mundo;
fecha-se em si para entender,
e abre-se em poemas para expressar. 
 
a dor física o faz voltar-se para si;
abre-se ao mundo para encontrar o remédio,
e fecha-se em si por não poder dar-se ao mundo. 

a dor n'alma o faz solitário em sua luta,
como um herói mitológico,
ele enfrenta dragões para salvar o mundo.   

a dor física o faz triste, impotente,
luta contra micróbios com o qual lutam todos,
e todos perdem,
e ele não é nada além de alguém que também luta e também perde.  
 
a dor d'alma o faz diferente, a dor física o faz igual.
 
assim chega ao final esta semana, arrastando dias,
e neste arrasto trazendo a melancolia:
 
o filosofo invade o poeta e pensa suas dores,
alia à sua enfermidade física uma doença n'alma,
a de se saber mais humano e menos poeta,
mais igual e menos um.
 
paradoxos vívidos e retos,
 
ao acrescentar ao poeta a dor em sua alma,
o filósofo lhe devolve sua condição poética,
e a melancolia que abateria ao homem eleva ao poeta,
e nada é triste ou dorido além do fingimento.
 
diz  Umberto Eco que o
poeta escreve o poema ideal
para a musa idealizada,
assim como o filósofo pensa as coisas ideais
para um mundo idealizado, 
 
é o mesmo conceito do Pessoa,
o poeta finge a dor,

o filósofo pensa friamente sobre a vida, 
não vivenciando, ambos, aquilo que expressam,
pois não é esta a função da arte ou da filosofia.
 
mas, e quando habitam no mesmo cérebro o poeta e o pensador?
e quando apenas saber não basta,
pois este cérebro cresceu em um corpo aventureiro
com um peito romântico? 
 
aí, meu amor, 
 
vamos à vida.
viver a dor para senti-la doída;
viver o amor para senti-lo amante;
viver a vida para sentir-se vivo.
 
o dia hoje ainda trará a noite
e nela te espero para descansar da dor,
amar o amor, e continuar a viver.


isso é o mais leve que consigo ser...

 

sábado, 18 de maio de 2013

POEMA AMOROSO


abri minha boca

enorme

de fome,


engoli seu universo

desconexo,

a delicadeza de seu sexo

na acidez

da minha língua,


à míngua não morro

tenho o vazio

do poema amoroso,


e o sabor de anarquia

que escorre (poesia)

de seu gozo.

AS TARDES


as tardes de quem ama - e tem seu amor distante

não são as tardes douradas pelo pôr-do-sol

líricas tardes dos campos, dos cafés, das orlas

perfumadas pelas rosas que se despedem,

são, antes, as tardes que se despedem em busca da noite

a noite de estrelas distantes como a amada

a noite de desejos e sonhos e querência

onde a ausência é que é negra

a noite dos poetas, a noite é dos poetas

e os poetas são tristes, a tristeza é do poeta

por isso a tarde finda tão tristemente

ela traz a noite que não trará amor

trará poesia, e alguma solidão.